Muitos pacientes, quando pensam no tratamento cirúrgico como uma saída para tentar resolver o problema da obesidade, de imediato imaginam que o peso ao final de todo o tratamento ficará dentro do “ideal”. O médico também quer isso. O único problema é saber se ambos tem o mesmo “peso ideal” em mente.
Os pacientes, normalmente, têm como referência de peso ideal aquele do tempo em que ainda não eram obesos. Ou que não eram tão obesos assim. Remetem-se a fotografias, roupas, atividades que realizavam, etc.
Porém, para dar um pouco mais de precisão a essa imaginação, pode-se recorrer às “tabelas de peso”. Nessas tabelas, o peso ideal corresponde àquele em que a quantidade de gordura corporal do indivíduo não impõe ao mesmo, um risco adicional de desenvolvimento de doenças associadas à obesidade, tal como o diabetes mellitus. E nem tampouco, é claro, de qualquer evento associado à obesidade que o leve a morte. Tudo isso devidamente ajustado às variações regionais da população de um país, sua expectativa de vida, distribuição de gênero e etnia, entre outros fatores.
Note-se que o peso ideal em nada se relaciona com a aparência da pessoa, a estética corporal. E muito menos com aquela referência do paciente que se lembra do tempo em que era “magro”, ou melhor, que não era tão obeso.
Embora esse parâmetro de peso ideal (o das tabelas) seja mesmo um bom objetivo a ser alcançado, o padrão de “sucesso” da cirurgia da obesidade que é aceito pelas diversas sociedades científicas pelo mundo afora é um pouco diferente. Sob os olhos da ciência médica cirúrgica, um obeso que perde ao menos 50% do seu excesso de peso num período de até 24 meses após o procedimento cirúrgico deve ser categorizado como “sucesso”. Esse dado médico baseia-se no fato de que o risco de desenvolvimento de doenças é consideravelmente menor quando se atinge esses 50%. Além disso, há comprovado ganho na qualidade de vida.
Assim, é fundamental que o paciente saiba, no período pré-operatório, de quanto é o seu excesso de peso, para que ele possa saber o quanto, em quilos, corresponde os tais 50%. E calcular o excesso de peso é bem simples. Basta subtrair o peso atual (ou de antes da cirurgia) pelo peso que corresponderia, nas conhecidas tabelas que são usadas no mundo todo, ao peso ideal. O resultado dessa conta é, grosso modo, o excesso de peso.
Como exemplo, tomemos um indivíduo de 130 quilos. Imaginemos ainda que o excesso de peso desse indivíduo seja de 60 quilos. Para o paciente, na maioria das vezes, esse é o objetivo “mínimo” – perder os 60 quilos, a totalidade do excesso de peso. Já para o médico, se o paciente perder “apenas” 30 quilos, ou seja, 50% do excesso de peso, ele poderia dar-se por satisfeito.
Não se trata de saber se o resultado final será a perda de 100% do excesso de peso ou de “apenas” 50%. Claro que o médico irá trabalhar para que o melhor resultado possível seja alcançado. Mas é muito bom que o paciente seja devidamente esclarecido que, embora possa ficar descontente com uma perda de peso menor do que ele esperava, não poderá dizer que o tratamento “falhou”, caso os tais 50% de perda sejam alcançados.
Portanto, estimar a perda de peso decorrente do tratamento cirúrgico da obesidade não se resume em saber se é o médico ou o paciente vai ficar plenamente satisfeito. Para que ambos fiquem, e esse é o melhor dos resultados, basta apenas que na consulta médica do pré-operatório o paciente expresse o que espera da sua perda de peso, e o médico lhe explique com qual objetivo está se trabalhando. Expectativas alinhadas, dúvidas esclarecidas, ninguém se decepciona.

Existe uma lenda que algumas pessoas que fizeram redução de estômago tiveram problemas de Vesícula. Você já viu esses casos ??
ResponderExcluirCaro "Anônimo"
ResponderExcluirA colelitíase ("pedra na vesícula") é, de fato, uma situação que pode ocorrer como consequência da cirurgia da obesidade. Antigamente, isso era mais comum, devido à técnica que era empregada. Hoje em dia, a incidência de "pedra na vesícula" após cirurgia bariátrica caiu bastante. Tanto que há tempos atrás, era comum a realização de colecistectomia (retirada da vesícula biliar) como rotina durante a cirurgia de redução do estômago. Hoje, como disse, o conhecimento mudou, e com as técnicas atuais isso não tem sido mais necessário. Mas há casos em que isso ocorre, sim. Eu, particularmente, tive recentemente uma paciente operada há cerca de 2 anos que desenvolveu "pedra na vesícula". Mas como isso tem sido quase uma exceção hoje em dia, a orientação atual é operar (retirar a vesícula) somente quando essa doença ("pedra na vesícula") se desenvolve. Abç.
Olá Dr boa tarde;
ResponderExcluirHa tempos, eu tenho peso a cima da media.Hoje com 25 anos isso me incomoda muito , principalmente esteticamente , devo estar uns 30 35 kilos,à cima da média.Já tentei de tudo.É genético.
Gostaria de saber qual o tipo de cirurgia posso opnar em fazer pela minha idade, quais riscos. Hoje tenho 169, e peso 102 Kilos.Preciso de Ajuda.